Provando na Prática

Desistir ou mudar de plano? O que aprendi ao recomeçar

Nem todo recomeço é desistência. Como diferenciar o plano que deixou de fazer sentido daquele que só ficou difícil.

PROVANDO NA PRÁTICA · 4 MIN DE LEITURA

Resposta curta: Recomeçar não é o mesmo que desistir. Vale mudar de plano quando você já não consegue se ver no lugar aonde ele leva e segue só porque se comprometeu. Se a resposta para “é isso que eu quero?” ainda for sim, continue, por mais difícil que esteja.

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Prefere ouvir a ler? Este texto nasceu do Episódio 01 do podcast, que tem a transcrição completa.

Este é um texto sobre recomeços. E nada mais justo do que começar por dois deles: o recomeço deste projeto, o Provando o Improvável, que já passou por várias fases, e o momento da minha vida, que também é de recomeço e de revisão de planos.

Por que é tão difícil recomeçar?

Quando a gente planeja alguma coisa, coloca uma meta e vai atrás, recomeçar fica mais difícil. Principalmente quando a meta se tornou pública. Vem logo o pensamento: “poxa vida, eu me comprometi, eu falei que ia fazer aquilo”.

É parecido com mudar de ideia. Também é difícil dizer: “eu pensava de determinada forma e agora penso de outra”.

Claro que, quando temos uma meta e um passo a passo para chegar nela, é importante trabalhar para que ela aconteça. Mas eu percebi que existem situações diferentes.

Quando o difícil não é só difícil

Uma coisa é olhar para algo, achar muito difícil, deixar de lado e desistir. Outra coisa é quando você está trabalhando, transpõe um desafio, aparece outro, você transpõe de novo, e chega um momento em que percebe que tudo está te mostrando que aquele plano talvez não seja o melhor.

Às vezes é o próprio tempo que você passa construindo aquele objetivo que acaba mostrando que não é mais aquele o caminho que você queria. Foi o que aconteceu comigo.

A casa que decidimos comprar

Alguns anos atrás, minha esposa e eu decidimos comprar uma casa. Fomos lá, compramos, assinamos o contrato. Estava tudo fluindo bem. Aparecia um desafio, a gente ia lá e transpunha.

Até que chegou um momento em que olhei para aquele projeto e pensei: acho que isso não está fazendo mais sentido. Eu estava trabalhando para fazer aquilo acontecer, mas talvez fosse algo que eu não queria mais. Eu estava buscando outra coisa.

Quando me dei conta disso, veio a dificuldade: como é que eu ia trazer isso para a minha esposa? Por mais que a gente tenha um bom relacionamento e converse bastante, ficava a sensação de estar indo contra um plano da família. Fiquei bastante tempo com essa ideia na cabeça, tentando entender se era realmente aquilo que eu queria.

Quando criei coragem, falei: eu estava refletindo e acho que não quero mais perseguir esse plano. Gostaria de dar um passo atrás e voltar para onde a gente estava antes. Tinham se passado dois anos, e muita coisa havia mudado na nossa vida e na nossa forma de pensar.

Eu me surpreendi, porque ela disse: “eu estava pensando a mesma coisa”.

Ela também não tinha compartilhado, talvez pelos mesmos motivos que me fizeram demorar.

O plano não faz mais sentido ou eu só estou desistindo?

Na minha cabeça passava: o que eu vou falar para a minha família, para os amigos? Todo mundo estava comprometido com aquele plano. E eu sempre me posicionei como alguém que vai lá, faz e quebra pedra.

O que percebi foi o seguinte: às vezes a gente se compromete com metas que são reais naquele momento. Depois as coisas evoluem, mudam, e talvez aquele plano não faça mais sentido. É preciso saber discernir entre duas situações: o plano que não faz mais sentido porque as coisas mudaram e eu realmente não quero mais aquilo, e o plano do qual eu só estou desistindo porque está difícil demais.

No meu caso, o sinal foi este: eu olhava para o plano e não conseguia mais me ver naquele lugar. Não conseguia mais imaginar, sonhar como aquilo seria. Eu seguia só porque tinha me comprometido, não porque aquele objetivo ainda fizesse sentido para mim.

Quando externalizei isso para o meu círculo de confiança, me senti bem. Foi tirar um peso. Ali entendi que realmente não era mais aquele o objetivo que eu queria perseguir. E, quando coloquei o novo objetivo, parece que as coisas se destravaram e voltaram a fluir.

A pergunta antes de recomeçar

Quando você sentir vontade de recomeçar, de buscar um novo objetivo, não desista logo de cara. Não tome isso como desculpa para ser a primeira coisa que você vai fazer. Reflita:

  • Isso que eu estou fazendo é, de fato, o que eu quero fazer?
  • Quando eu chegar lá, vou realmente me sentir feliz?
  • Vou sentir que cheguei onde queria, que avancei um passo na minha vida?

Se a resposta for sim, continue se esforçando, por mais difícil que esteja, e busque ajuda quando for necessário.

Agora, se você olha lá para a frente e pensa que, ao chegar, talvez não tenha a felicidade que esperava quando iniciou o projeto, talvez seja o momento de redefinir. Dê um pause. Se afaste um pouco. Tente olhar de fora, por mais difícil que seja no meio do que se está vivendo, perceba como você está se sentindo e, a partir daí, tome decisões.

Descartar é abrir espaço para o novo

Não tome isso como desculpa para desistir de qualquer coisa. Tome como um convite a refletir sobre cada um dos seus planos e entender o que realmente está fazendo sentido na sua busca e o que não está.

Aquilo que fizer sentido, vá lá, se empenhe, entregue o seu máximo. Aquilo que não fizer mais sentido, não tenha medo de descartar. Ao descartar o que hoje não faz sentido, você abre espaço para o novo. Aconteceu comigo, e acredito que vai acontecer com você também.

Não tenha medo de recomeçar.

Pergunta para levar

Isso que eu estou fazendo é, de fato, o que eu quero fazer?